Você parou no meu cais como um soldado de chumbo à procura de sua bailarina. Doce mar te trouxe ao cais que atraquei. Eu rodava, naquela caixinha de música, tão sozinha, pouco encanto, centro do meu universo. Foi você que apareceu. Mas senti como se fosse sua mão tirando-me dali. Eu não resisti ao seu universo.
Eu nunca te quis no meu mundo. Queria rodar na sua caixinha salva-vidas. Eu queria o seu mundo, sua terra, seu porto seguro. Sua voz era mais doce que o som do mar. E trazia um tipo de paz que a solidão nunca antes pôde proporcionar. Não quis saber de mim... Quis saber de ouvir sua música, que entoava nas palavras que você dizia, uma a uma, formavam uma só canção, bela e que me fazia dançar.
Dancei para você, no cantinho do seu universo. Tu ria da minha poesia. Me fitava como quem não entendia minha dança, me abraçava como quem me queria ali. Eu não decifrava seus sinais, pois tudo o que queria era dançar, para, quem sabe, te embalar e, você gostar e sorrir. Eu não queria nada além de nós dois ali, atados, calados, procurando refúgio um no outro, enquanto navegando num mar de incertezas.
Apaixonei-me pela esperança de não ficar tão só. Apaixonei-me pela voz que não era coisa da minha cabeça e sim alguém falando para mim. Apaixonei-me pela sua forma de remar, de me assistir, de encontrar terra à vista.
Encontrou terra à vista.
Me deixou lá.





Sem amar, não há mar.
ResponderExcluirGK
Bem lindo o texto e triste o final. ;')
ResponderExcluir"Apaixonar-se pela esperança de não ficar tão só" ... Quem nunca, né?
E a ilustração é linda!! ♥
Beijos,
Carol
www.pequenajornalista.com
Que texto amorzinho <3
ResponderExcluirSe entregar ao outro tanto assim: tão eu
Além de que, pra mim, poucas coisas são tão encantadoras quanto o mar. Adoro coisas relacionadas a isso
http://www.cacadoradegalaxias.com.br/