Amora criança, bastava o amor do pai e da mãe. Mas pôde ter aquele mocinho da outra sala, ou da outra rua, que morreu de amores por amora, e a guria achando graça gostou também. Depois cresceu um pouquinho, e chegou a hora que nunca se esquece: o primeiro beijo. Desengonçado, sem graça, sem noção, mas cheio de alegria, da aventura, da novidade e a sensação de que cresceu. Mas ele era chato, - e é provável que tenha ficado triste quando amora se distanciou.
O amor é uma coisa engraçada.
Amora chorou noites por pessoas que já esqueceu, foi apaixonada mas depois de uma semana o amor morreu. É estranho, eu sei. Ela era confusa, queria sentir esse amor, mas não sabia como (não tinha como). Amor não é só borboletas, amora. É experiência, é conhecimento, é toque. O amor é uma longa caminhada - e ai daqueles que acham que se caminha junto! Não, não: O amor é um caminho que se trilha sozinho, cada um na sua ilusão, aprimorando sonhos, descobrindo desejos, amadurecendo o coração.
Um tal de amor que amora sentiu por um rapaz que nunca viu. O contrário dos seus próprios pensamentos. Arriscou. Mas arriscou demais. Ela apostou o coração naquele amor. Que quanto mais se conhecia mais errado se tornava. Quanta teimosia! Estranho, era amor pra toda vida, mas não imaginava a vida vivida com o tal. Só com o amor mesmo, sentimento. Claro que novamente não foi dessa vez.
Mas aquele amor ela sentiu! Sabia que sentiu e foi até o fim. Guardou no coração e sofreu com a questão: "era amor?". Mesmo lembrando, mesmo sentindo, amor - mesmo mal vivido- afinal, tem final? - Saiba que tem sim moça, faça direito. Acaba no contrato, depois no tempo e se extingue do peito logo depois.
Entre tantos amores que ela queria sentir, e talvez tenha sentido, ela seguia sua trilha da ilusão. O amor é uma lúdica criada por nossas próprias mentes. O amor tem o sentido que se dá a ele. O amor é vivido da forma que a cada um convém. O amor só é amor se você acreditar nisso. E o amor é (e pode também não ser) isso.
Então teve um alguém que gostou da forma do gesto, da fala, do corpo, da lógica dela. E então da convivência surgiu um amor mais que sentido: surgiu a cumplicidade, o afeto, o respeito, a dedicação, a tolerância. Eles eram felizes juntos porque um dia seguiram seus caminhos aperfeiçoando o melhor do amores: o próprio. Ele gostou do amor de amora. E assim eles faziam uma ligação perfeita: compartilhavam seus interesses em comum, atraiam-se pelas diferenças.
Esse alguém a conheceu de forma que nem ela própria se conhecia, a fez enxergar cada detalhe do futuro. Ela sentia por ele, sozinha. Ele sentia por ela, sozinho. Eles fizeram juntos uma história, que se contada, terá duas versões diferentes: O amor de amora e o amor de Ramom. No fim fez sentido, de todos amores que sentiu, o que que importou era o velho e clichê: que fica. E que não deixa os próximos existirem (nem se sentirem!).
Ps: E por isso achei justo citar só o nome desse.