Nossa primavera passa agora como passam no chão os bichinhos do verão, pra lá e pra cá. Uma música triste entoa no rádio o que não era pra ser. Não sei dizer se errei, mas pela minha natureza errônea sei que não há certeza da verdade. Mesmo quando ela dói. E quando mais dolorida mais difícil de acreditar. Então me recuso a acreditar na talvez verdade, e dói mais ainda. Me recuso a deixar doer e sinto um gosto estranho na garganta.
Certamente a primavera já passou há muito tempo, que eu nem lembro mais. Não era pra ser talvez, amor, mas se foi era pra ser qualquer coisa jogada ao acaso, um amor a mais, uma dor a mais. Um deixa pra lá que insiste em ficar pra cá. Até que ponto tenho livre arbítrio sobre essa quase tristeza? É tão "impassional" que gera sem querer uma sensação ruim. Quanto tempo me resta para escolha, se caso haja uma escolha?
Você sempre disse que a música mudava meu humor e to nem aí deixo o rádio tocar pra sentir mais um pouquinho. Pensar qual era a nossa música que alegrava meu coração... Não tinha. Aí pra chorar qualquer bobagem me lembrava você. Desejei até cair na rua pra poder chorar à vontade. Não aconteceu e eu guardei até aqui. Sozinha.
Meu coração tá separando um cantinho pra te colocar. Eu to dizendo pra ele que você não vai pra cantinho nenhum, que não cabe. Estou triste até comigo mesma. Com o que faço por burrice, por não saber ser o melhor de mim. Que eu não vou dormir na única noite que tenho na semana. Que eu me pergunto o que tinha naquela primavera que dessa vez não aconteceu. Ah infelizmente não aconteceu...
"E ninguém é eu. Ninguém é você. Esta é a solidão" - Clarice Lispector




A vida é uma sequência de desabamentos e reconstruções.
ResponderExcluirGK
É verdade =)
ExcluirÉ sempre assim, caímos e levantamos sempre. Coisas acontecem porque têm que acontecer, mesmo que elas deem errado. É uma das leis da vida.
ResponderExcluirhttp://totalmenteanta.blogspot.com.br/
É mesmo Dani! =)
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