Tinha costume de guardar seus próprios rastros como forma de eternizar sua história. Um estranho pesar tomava seu peito e espalhava-se pelo corpo quando passava pela cabeça a ideia de que um dia aquilo acabaria.
Como tudo na vida, um dia, acaba. Ela ainda não estava preparada.
Eis que um dia acabou.
Foi chocante, mas aos poucos, os buracos no peito tomavam forma, acomodavam-se, deixando de incomodar. Assim como toda dor que não é passageira torna-se parte de nós.
Acostumamo-nos com as derrotas, com os fracassos, com a rotina... E aquela chama que ardia ante os sonhos nobres da juventude, torna-se chaga às vezes impossível de cicatrizar.
E aquele costume de eternizar o que parecia bom, era apagado por prioridades novas... Às vezes obrigações, outras vezes desejos... E até algumas alegrias.
Então as chamas diminuíam dia após dia... Tornaram-se fumaças cinzentas, até enfim serem um borrão na memória, um pequeno devaneio, uma lembrança comum.
E antes uma carta era molhada em lágrimas, rasgada, jogada... Hoje, se não é perdida, é amassada e jogado no lixo mais próximo.
Antes a ternura doía quando as lembranças acordavam abraçando a alma. Hoje dói saber está calejada e com o peito adormecido.
Coleciona(dor).
Coleciona(dor).
Um lindo feriadão pra vc
ResponderExcluirbjokas =)
Belo texto o seu!
ResponderExcluirSaudades. Bom final de semana.
http://jj-jovemjornalista.blogspot.com.br/
Colecionar dores perde logo o sentido. Todas se tornam muito comuns.
ResponderExcluirGK
Entendo tanto o sentimento. Não sei é o "mesmo caso", mas ainda assim entendo.
ResponderExcluirNão tem nada melhor do que ver a fumaça dessa chama diminuindo até virar cinzas ao vento e... Sumir!